Circuito Sesc de Artes - Notas que choram

A tradicional banda de praça, que foi fundada em 1899, se tornou um patrimônio cultural da cidade de Leme, que ainda toca todos os domingos depois da missa. Desde a época do Maestro Ângelo Cosentino, que liderava a banda centenária, Leme tem a música como uma expressão muito forte de sua cultura. Nomes consagrados como Seu Geraldo, um grande músico de choro, que tem até uma semana em sua homenagem, seu filho, o também consagrado músico Proveta assim como tantos outros lemenses, esbanjam talento musical. A cidade recebe, todo ano, inúmeros músicos de vários lugares do mundo, para participarem da “Semana Seu Geraldo”, que é uma grande oficina de chorinho. Leme respira chorinho. E você, pode ouvir tal gênero na praça, nos bares, nas esquinas e nos restaurantes. O grande músico Altamiro Carrilho, já esteve em Leme e até compôs um choro em homenagem a uma choperia da cidade, que toda segunda feira, faz uma roda de chorinho e recebe os amantes deste estilo musical tão brasileiro. Mas não é só de choro, que Leme floresce sua cultura. O Carnaval de Máscaras, trazido pelos imigrantes italianos, também é uma grande atração. A Semana Nordestina, realizada da praça da capela de Padre Cícero em uma comunidade de migrantes cearenses e alagoanos, é muito rica em comidas típicas e cerimoniais religiosos. Um fato curioso, é que a comunidade nordestina mantém seus costumes intactos. Moram todos ao redor da capela, se reúnem aos fins de tarde e finais de semana na praça para conversar, e os jovens aproveitam a movimentação para paquerar. Existe também, a comunidade alemã, formada pelos primeiros migrantes da região. Em 1850, a fazenda Cresciumal trouxe algumas famílias germânicas para trabalharem no campo. Estas famílias ganharam terras e até hoje, moram no mesmo lugar, uma área rural chamada bairro Ribeirão do Meio. As casas possuem a arquitetura alemã, mas seus moradores não seguiram os costumes de seus antepassados. “Ainda existem senhoras, bem velinhas, que se vestem como as típicas alemãs. Mas ninguém mais fala alemão no bairro“, relata Cibele, diretora do Museu Histórico de Leme e pesquisadora da história lemense.
Texto postado no Site do Sesc em São Paulo - Circuito Sesc de Artes














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